Da memória

9 Novembro 2017

O tempo é pouco para tanto. Pudesse uma vida caber numa caixa e tudo era tão mais fácil. Mas não cabe. Comigo tenho, não todos os sonhos do mundo, mas uma vida cheia de sonhos. Muitos deles estão fechados em letras de um caderno ou em forma de bilhete de cinema ou num livro. Porque a memória tantas vezes me falha, consigo imaginar num futuro mais perto do que gostaria os meus filhos a mostrar aos meus netos ou bisnetos algumas letras que eu gostava de juntar e com elas construir memórias de momentos. Principalmente os medos e as etapas complicadas que fizeram de mim tanto daquilo que sou hoje. Mas também os momentos maravilhosos e cheiros de afeto e amor.
A memória é dormente e volátil. Mas tantas vezes é fácil de alcançar quando sinto um determinado cheiro ou um sorriso que sempre esteve à minha espera. E porque, no meu dia-a-dia vejo tanta memória esvaziar de um momento para o outro, temo tanto que um dia possa esquecer tudo aquilo que vivi e principalmente o “para sempre” que estou a hoje a viver. Nada melhor do que escrever ao mesmo tempo que sinto para mais tarde, mesmo que não recorde o que vivi, sinta que fui feliz, fiz alguém feliz, enraizei caracter nos meus filhos e sou muito mais do que a passagem de um tempo de vida.
Somos também muito do que cá deixamos e acho que alguém só morre quando mais ninguém se lembrar de si e o que perdura de nós está mais na nossa mão do que pensamos. E de forma tão simples.

Sonhos a ganhar forma

5 Novembro 2017

Quando, na torre mais alta, o joelho se firma no chão enraizando um sentimento único, e se faz magia, a resposta só podia ser “sim”.

Da luz

23 Outubro 2017

Apetece beijar a luz apenas porque é ela que serve de véu quando a poesia nasce.
Apagada ou a inundar o espaço é indiferente quando se entrega a alma a alguém que tão bem se conhece e no peito onde apetece morar.
As mãos, os lábios e os gestos podem ser infinitos, mas a luz mantém-se imóvel criando cumplicidade com todos os desejos, anelos e palavras.
Tenho vontade de fazer dela um altar para a adorar em todos os momentos do meu dia ou da noite. Seja a luz do Sol, da Lua, dos candeeiros ou das velas que salpicam tímidas alguns cantos de casa. O desfazer dos vértices e das linhas paralelas é único e a descoberta e o desbravar de caminhos que se pensava já conhecidos é iluminador dos dias que se avizinham.
A luz é única e estende-se por todos os momentos fazendo deles algo ímpar.
Quando se apaga e fica apenas a penumbra, à memória vem o sorriso ou o olhar que reflete um infindável mundo novo.

Aquela certeza…

18 Outubro 2017

…de que os teus braços é o mais perto do céu que eu alguma vez conhecerei.

Hoje…

9 Outubro 2017

…podia ser um dia como qualquer outro, mas não é. Hoje é um dia diferente. Não que a rotina seja outra, se bem que não tenho dias iguais, mas hoje é distinto. É como se o calcanhar assentasse de vez no chão e sentisse as raízes a nascer até aos antípodas. Não foi algo que se tivesse passado, mas foi como que o culminar de uma manta de retalhos a que tantas vezes chamo alma. Como se sentisse unir todos os momentos da minha vida e neles determinasse tanto do que quero fazer e do mar onde quero navegar. A todos os níveis. Hoje foi como se o mundo tivesse parado por alguns segundos e todos os meus sentidos se tivesse conjugado com a minha vontade. É tão importante a forma como conseguimos usar o que temos de mais preciso: o tempo e há momentos que podem fazer toda a diferença e se essa diferença poder ser feita na vida de outros não há melhor paz que essa.

Melhor…

8 Outubro 2017

…não creio que seja possível.

Da necessidade de verbalizar…

21 Setembro 2017

Nem sempre assim é mas quando é preciso não há volta a dar. Há coisas que só mesmo ditas porque quando ficam apenas cá dentro até o sangue fica agreste e parece um mar revolto à procura de uma justificação para rebentar. São hábitos que se criam e que se aperfeiçoam com o passar dos anos. Momentos houve em que apenas se descarregavam nas folhas brancas a cólera ou o afeto. Mas por vezes não chega carregar com força na caneta até rasgar o papel ou deixar cair uma ou duas lágrimas desenhando sorrisos à volta das marcas carregadas de sal e de angústia. As palavras são lindas escritas mas ditas carregam a melodia do tempo e a doçura do momento e fazem o sentido certo que por vezes o emudecimento dos lábios oculta.
Mas depois aprendemos a falar em silêncio e conseguimos ouvir-nos quando as letras saem da ponta dos dedos e sentimos o conforto e o aconchego que tantas vezes faz falta.
É nesses momentos que o abraço assume o privilégio de dizer o que as palavras não conseguem.
Certo é que não guardo nada a não ser as memórias e seja de que forma for deixarei sempre transparecer tudo o que tenho cá dentro.

Do amor imenso que te tenho

20 Setembro 2017

O abraço onde apetece morar está mesmo aqui à mão. À distância de nada pois não há espaço que separe o desejo da realidade. Como se estivéssemos ligados a todos os momentos por linhas imaginárias que fluem vontades e sentimentos. Nem importa onde ou como estejas porque a união é permanente. Como sempre foi. Não de agora, mas de sempre. Mas o abraço…o abraço é o corolário de uma vida de altos e baixos onde ali descanso e me alimento do que de mais puro existe. Não vou a lado nenhum. Contigo moro, habito, vivo e sou inteiramente amor. Do teu abraço quente construo a muralha que antes fui e mais não quero do que viver a paz, e tranquilidade que sempre me deste.

Desempoeirar

14 Setembro 2017

Hoje era bom dia para escrever um poema
Juntar algumas letras
Compor palavras que mais não são
Do que suspiros da alma ou da raiva
Em que, de garganta seca,
Conseguisse engolir cada uma delas sem hesitar.
Mas não sei se é bem isso que me apetece
Quando da vida se recebe o retorno do muito que se dá
A vontade é unicamente de fruir de cada réstia de tempo
Sem que para isso tenha de juntar letras e palavras
E resumir numa estrofe a indefetibilidade do que sinto.

Da memória

31 Agosto 2017

Dias difíceis caminham a passos curtos. Um limbo estranho. Como se caminhasse perto do abismo mas sem vertigens. Sem medo. Perfeitamente consciente da consistência do terreno como se em outra vida, ou em outras vidas tivesse passado pelo mesmo, sabendo como lidar com cada buraco ou lomba, na estrada que tantas vezes não tem qualquer tipo de sinalização ou luminosidade.

O caminho vai-se fazendo. Lento ou rápido não sei como definir. Sei que o tempo não tem valor numa altura em que de momentos me encho em cada dia, e de memórias relatadas a dois, três ou quatro me completo.