Da memória

9 Novembro 2017

O tempo é pouco para tanto. Pudesse uma vida caber numa caixa e tudo era tão mais fácil. Mas não cabe. Comigo tenho, não todos os sonhos do mundo, mas uma vida cheia de sonhos. Muitos deles estão fechados em letras de um caderno ou em forma de bilhete de cinema ou num livro. Porque a memória tantas vezes me falha, consigo imaginar num futuro mais perto do que gostaria os meus filhos a mostrar aos meus netos ou bisnetos algumas letras que eu gostava de juntar e com elas construir memórias de momentos. Principalmente os medos e as etapas complicadas que fizeram de mim tanto daquilo que sou hoje. Mas também os momentos maravilhosos e cheiros de afeto e amor.
A memória é dormente e volátil. Mas tantas vezes é fácil de alcançar quando sinto um determinado cheiro ou um sorriso que sempre esteve à minha espera. E porque, no meu dia-a-dia vejo tanta memória esvaziar de um momento para o outro, temo tanto que um dia possa esquecer tudo aquilo que vivi e principalmente o “para sempre” que estou a hoje a viver. Nada melhor do que escrever ao mesmo tempo que sinto para mais tarde, mesmo que não recorde o que vivi, sinta que fui feliz, fiz alguém feliz, enraizei caracter nos meus filhos e sou muito mais do que a passagem de um tempo de vida.
Somos também muito do que cá deixamos e acho que alguém só morre quando mais ninguém se lembrar de si e o que perdura de nós está mais na nossa mão do que pensamos. E de forma tão simples.


Comentários:

Simples!
(explicadinho assim)

Desabafado por: Paulo Moura em 9 Novembro 2017 | 19:01 
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