Da necessidade de verbalizar…

21 Setembro 2017

Nem sempre assim é mas quando é preciso não há volta a dar. Há coisas que só mesmo ditas porque quando ficam apenas cá dentro até o sangue fica agreste e parece um mar revolto à procura de uma justificação para rebentar. São hábitos que se criam e que se aperfeiçoam com o passar dos anos. Momentos houve em que apenas se descarregavam nas folhas brancas a cólera ou o afeto. Mas por vezes não chega carregar com força na caneta até rasgar o papel ou deixar cair uma ou duas lágrimas desenhando sorrisos à volta das marcas carregadas de sal e de angústia. As palavras são lindas escritas mas ditas carregam a melodia do tempo e a doçura do momento e fazem o sentido certo que por vezes o emudecimento dos lábios oculta.
Mas depois aprendemos a falar em silêncio e conseguimos ouvir-nos quando as letras saem da ponta dos dedos e sentimos o conforto e o aconchego que tantas vezes faz falta.
É nesses momentos que o abraço assume o privilégio de dizer o que as palavras não conseguem.
Certo é que não guardo nada a não ser as memórias e seja de que forma for deixarei sempre transparecer tudo o que tenho cá dentro.


Comentários:

Está-se tão bem, a escutar as tuas verbalizações…

Desabafado por: Paulo Moura em 21 Setembro 2017 | 15:13 
Deixe o seu comentário: