Do amor – Aliciante

Do amor

4 Janeiro 2018

Às vezes apetece-me escrever uma carta à alma.
Deixar bem claro e por escrito e reconhecido que há sentimentos que ela não deve ter.
Cores que não deve assumir.
Momentos pelos quais não deve passar.
Nas linhas que lhe escreveria tentaria provar-lhe que a vida não está para tristezas, angústias ou dor.
A alma deveria absorver apenas bons momentos, arco-íris de sentimentos, alegrias e outros afins.
É uma perda de tempo e espaço ocuparmos a única coisa que temos só nossa.
A alma é algo que ninguém pode roubar, matar, anular ou comprar, com coisas que mancham a palete de cores que deveria ser a nossa vida.
Quando escrever à minha alma dir-lhe-ei: “Memoriza apenas o que de bom se passa comigo”.
Quem ler a carta que escreverei à minha alma dirá: “Mas é com as coisas más que crescemos”.
Mas onde será que isso está escrito? Em lugar nenhum.
Se vivêssemos apenas de alegrias não seria apenas isso que transmitiríamos uns aos outros?
Não é a alegria contagiante?
O amor quando partilhado não se multiplica no lugar de se dividir?
Sem dúvida que sim.
Memorizar o bom, incentivar o bem, relativizar o menos importante e que não nos faz crescer ou dar cor.
É verdade que crescemos quando já não cabemos em nós e quando rasgamos a pele.
Que esse crescer seja sempre de amor.

Reload.


Comentários:

Nada mau!

Desabafado por: Paulo Moura em 4 Janeiro 2018 | 13:27 
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