Para a escrita…

21 Dezembro 2017

…nem sempre há disponibilidade. Muitas vezes disponibilidade mental. Não está em causa haver ou não falta de inspiração. Mas tal como outros, são hábitos que se arrumam. Não sei bem se foi a escrita a fazer parte de mim ou muitas vezes era eu que me refugiava nela para encontrar colo, refúgio, ou até mesmo uma parede para esmurrar. Na verdade, não perco muito tempo a pensar nisso e retomo a ela quando sentir a sua falta. Não tem feito.
Houve tempos em que me angustiava não escrever. Pensava imenso nos dias que iam passando e aos cadernos recorria apenas para limpar o pó. Pensava imenso nisso. No porquê de os manter fechados, a meio. Pensava muito nas razões que me levavam a refugiar-me noutras coisas que raramente me davam mais prazer que aquelas folhas brancas que amava estrear.
Mas este espaço nunca foi um diário. Apesar de ter dias, meses e houve momentos em que até as horas registava. Este espaço foi uma ilha deserta que encontrava no meio do oceano, nem sempre revolto, para descansar os braços e fazer o que me apetecesse.
Aqui, está muito do que se passou comigo, mas está também muito do que não se passou. Em suma, é como tudo, e todos temos momentos em que os sonhos é que nos fazem acreditar em dias melhores, em fases que se ultrapassam, em buracos vazios que tapamos com o nosso corpo ou com a nossa alma. E a vida é tão isso. Altos, baixos, desertos, ilhas, multidões e nuvens escassas. O que importa é seguir rumando sabendo viver com aquilo em que nos tornamos.


Comentários:

Bons rumos se sigam, cachopa.

Desabafado por: Paulo Moura em 21 Dezembro 2017 | 20:33 
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